Usando ícones no design de interfaces

Usabilidade relacionada com a utilização de ícones em nossas páginas web.

Por Eduardo Manchón


Publicado em: 12/3/07
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Resumo: Os ícones não são meros elementos decorativos, e sim, parte essencial dos mecanismos de interação de qualquer interface que deve ser desenhados cuidadosamente. A pesar dos ícones terem limitações, seu uso adequado apresenta grandes vantagens.

Vantagens dos ícones

Os ícones substituem a uma unidade de significado (idéia, conceito, ação…) que representada com texto ocuparia mais espaço. A principal vantagem é que mediante ícones se podem representar mais unidades utilizando um espaço menor.

Por isso os ícones são de grande utilidade em interfaces nas quais é muito importante obter uma funcionalidade máxima no mínimo espaço e com a máxima rapidez, geralmente aplicações.

O significado da maioria de ícones deve ser aprendido, porém isto não é problema quando o uso é muito freqüente e repetido ou quando existe uma alta motivação extrínseca, razões de trabalho ou estudo.

Os ícones também são adequados para interfaces onde é importante o aspecto visual e nem tanto a atividade. Faz parte integral do objetivo do site quando despertar a curiosidade do usuário ou quando se deseja que o usuário investigue e descubra por si mesmo o funcionamento da interface, os ícones têm um grande papel.

Ícones na web

Na maioria de webs não há uma freqüência de uso tão alta e tão repetitiva como a das aplicações, portanto se desejamos utilizar ícones, estes devem ser apoiados com textos que clareiem seu significado.

Os ícones são representações ou metáforas e como todas as metáforas têm uma série de limitações.

Limitações dos ícones

Apesar da crença comum, os ícones não se reconhecem mais rápido que os textos. Inclusive com experiência de uso a velocidade de reconhecimento de ícones é a mesma que a de textos.

Nas primeiras experiências os usuários cometem significativamente mais erros no reconhecimento de ícones que no de textos. Estes erros podem ser críticos em uma primeira visita a um website o qual o usuário pode decidir não voltar, porém menos importantes em aplicações onde o usuário tem mais motivação para a aprendizagem e o uso mais repetitivo.

Os ícones são sempre subjetivos, estão sujeitos à interpretação individual e subjetiva de cada pessoa a partir de sua experiência. Nunca são totalmente claros e inequívocos e existe risco de ser mal-entendidos. Por esta razão, não se recomenda usar ícones para operações críticas.

Baseia-se em representações equivalentes do mundo físico ou convenções para explicar um conceito ou idéia, mas se um conceito não tem equivalente, como representa-lo com ícones?

Dífícil escalabilidade. Os ícones não escalam adequadamente com o crescimento do site. Embora seja mais fácil representar uma única idéia simples com um ícone, quando queremos representam muitas idéias, complexas ou similares, os ícones não funcionam corretamente, seus significados se confundem e tornam-se enigmáticos.

Os ícones como representações são pura intuição, às vezes funcionam perfeitamente e às vezes, nem sempre se pode confiar neles como método de interação com o usuário.

A acessibilidade de uma página web para usuários deficientes psiquicamente pode ficar limitada pelo uso de ícones já que estes nem sempre são compreensíveis para estes usuários.

Conclusões de estudos realizados

- Não existem diferenças significativas em rapidez ou exatidão no reconhecimento de textos

- Nas primeiras experiências os ícones requerem mais tempo para serem identificados que os textos. Com a experiência, este tempo de reconhecimento chega a ser o mesmo que no texto, porém não menor.

- O número de erros cometidos na identificação de ícones foi significativamente maior que na de textos. Com a experiência o número de erros se reduz e chega a ser o mesmo que com textos.

- Os usuários podem identificar corretamente os ícones quando seu número é reduzido, porém não quando a comunicação é exclusivamente mediante eles.

Desenvolver e testar ícones

Devido aos riscos de interpretação dos ícones, seu adequado desenho não pode depender unicamente da inspiração ou preferências de designers ou dos responsáveis do site. É necessária a criação de vários desenhos ou protótipos para cada ícone e a realização de testes com usuários reais em um processo interativo de design-teste-redesign. Ver casos práticos nos links relacionados abaixo.

Referências e artigos relacionados:

- Benbasat, I., and Todd, P. An experimental investigation of interface design alternatives: Icon vs. Text and direct manipulation vs. Menus., International Journal of Man-Machine Studies, 1993 Kellener & Barnes

- Rogers, Y. (1989). Icons at the interface: their usefulness. Interacting with Computers, 1(1), 105-117.





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