O que aprenderam os desenvolvedores nos últimos 10 anos

Lições que os desenvolvedores web e empresas criadoras de navegadores aprenderam, desde o lançamento de IE6 até a criação do standard do HTML5.

Por Steve Apiki


Publicado em: 30/3/12
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Agora que até Microsoft está de acordo em que já é hora de que Internet Explorer 6 vá desta para melhor, o que poderíamos dizer que aprendemos como resultado nestes 10 anos de trajetória memorável? Em 2002, IE6 se convertia no navegador de referência de fato. Em 2011, as instalações que ainda subsistem são uma cruz para os desenvolvedores Web e um autêntico obstáculo para a inovação.

Três gerações mais tarde, Internet Explorer 9 praticamente faz tábula rasa. Como outros navegadores modernos do estilo de Firefox ou Chrome, IE9 adota novas tecnologias, como HTML5 que prometem uma web mais interessante, interativa e interoperável. Porém, IE9 demonstra em muitos aspectos o que se aprendeu da experiência de IE6. IE9 parece que corrige aquilo que IE6 não fazia bem, incluindo a implementação de novas tecnologias baseadas em standards.

Se quiséssemos resumir brevemente o que não funcionou bem com IE6, o relato seria mais ou menos este. IE6 incluía tecnologias como CSS2 em um momento em que a especificação ainda estava evolucionando, sem um grau de consenso suficiente sobre o como ?ou inclusive que- elementos da especificação deveriam ser implementados (e as dúvidas persistiram até a apresentação de CSS 2.1 no ano de 2002). Mais tarde, como navegador por padrão de Windows XP, IE6 se fortaleceu na Web e, sobretudo, nas grandes companhias. Dada a lentidão com que os usuários da Web atualizavam seus entornos, IE6 manteve uma cota de mercado muito importante durante vários anos, de modo que os desenvolvedores Web não podiam ignorar ou passar por alto suas peculiaridades.

Agora ninguém ?e menos ainda os desenvolvedores Web- querem que se volte a repetir esta historia com a nova geração de navegadores.

Regulamentação dos standards

Resulta especialmente interessante a comparação dos primeiros tempos de IE6 com estes de agora, dos navegadores de última geração, já que a Web mostra certa ânsia por migrar o quanto antes para uma nova família de tecnologias comuns em 2011, de forma muito parecida a como ocorria lá por 2001. Em 2001 o salto era desde apresentações baseadas em tabelas a CSS. Hoje em dia todos esperamos com grande interesse a possibilidade de criar aplicações Web ricas, dinâmicas, baseadas emHTML5 e CSS3.

As etiquetas de áudio e vídeo de HTML5 vão permitir embeber conteúdos multimedia avançados nas páginas, que poderão ser reproduzidas diretamente a partir do navegador sem necessidade de plugins. A etiqueta canvas de HTML5 suporta gráficos de mapa de bits e SVG suporta gráficos vetoriais, tudo isso, de novo, a partir do próprio navegador. Estas novidades, junto com os avanços nos estilos de CSS3 e um motor de Javascript comum, significam que os desenvolvedores Web por fim poderão criar sites emocionantes, interativos, com uma expectativa razoável de que vão poder ser visualizados e utilizados de forma correta em qualquer navegador moderno.

Com CSS2, IE6 fez uma aposta decidida por uma especificação que ainda não estava completa. Aquelas implementações ficaram petrificadas e isso levou a permanentes quebras de cabeça para os desenvolvedores, que se mantiveram durante todo este tempo na medida em que o número de usuários que tinham este navegador instalado era bastante elevado. Embora a maior parte dos navegadores atuais se baseie em standards, cada fabricante tem uma opinião própria a respeito de quando implementá-los. A historia de IE6 é claramente um exemplo contra uma adoção e implementação prematura.

A atualização automática não é um substituto

Uma vez que o navegador está na rua, já não pode ser retirado. Os navegadores (e as tecnologias Web) se congelam. Conservam-se nas grandes organizações onde os administradores querem controlar o software que se executa. Os fabricantes de dispositivos podem também optar por não distribuir software atualizado. Um bom exemplo é o telefone Android. Google já publicou sua versão 3.0, mas a imensa maioria de usuários continuam com as versões 2.1 e 2.2 e não está claro se esses usuários vão poder atualizar. À medida que HTML5 seja estendido a mais dispositivos (por exemplo, TVs, telefones, auto rádios e appliances) com ciclos de atualização maiores, o problema se agudizará. As expectativas dos consumidores fazem recair o esforço sobre os desenvolvedores, que têm de dar suporte a uma ampla família de implementações.

Fazer avançar a Web

O navegador e o web site, cada um tem seu papel no ciclo evolutivo do ?ovo e da galinha? das novas tecnologias Web, porém se um navegador muito popular começa dando um passo em falso, o impacto é sentido em todos os web sites. Quanto mais amplo é o uso do navegador, mais conservador há de ser à hora de adotar novas tecnologias.

HTML5, que promete conteúdos avançados sem necessidade de plugins nem de extensões, vai ganhando terreno, mas segue sendo uma compilação de especificações. HTML5 e suas especificações anexas cobrem um montão de aspectos, aportando diretrizes para tecnologias que vão desde os gráficos vetoriais aos gráficos de mapa de bits, o áudio e o armazenamento interno no navegador. Nem todas estas seções têm o mesmo grau de maturação: algumas são estáveis mas outras têm muitas probabilidades de se verem alteradas à medida que HTML5 vai avançando no processo de definição da recomendação completa do W3C.

No caso de IE9, Microsoft renunciou a seguir o caminho de implementar primeiro e perguntar depois. Em vez disto, a empresa foi mais seletiva à hora de escolher as tecnologias de HTML5 que se incorporam no IE9, optando unicamente pelas que crê que estão suficientemente testadas e que são estáveis. Entre elas estão o canvas, SVG, a geolocalização e os elementos de áudio e vídeo. IE9 inclui, além do mais, suporte para diversas características de CSS3.

Os fabricantes de navegadores podem também optar por incluir algumas especificações não tão estáveis, como FileAPI, IndexedDB e WebSockets. É um tanto comprometido, porque lhes permitiria gabarem-se com razão de serem os primeiros em implementá-las, porém isto também supõe colocar na rua tais implementações com o risco de que criem raízes nas instalações das empresas e em um crescente número de dispositivos de consumidor à parte dos PC , como é o caso de telefones e tablets.

Os consumidores desfrutam de standards com IE9, mas os desenvolvedores Web continuam necessitando acessar as implementações iniciais de Microsoft baseadas nas versões de prova dos standards. Microsoft coloca a sua disposição diversos protótipos no website HTML5 Labs, para fins de teste e demonstração de especificações ainda instáveis ou imaturas. Existem dois protótipos de HTML5 à data desta publicação, que são IndexedDB y WebSockets, mas a empresa espera poder oferecer protótipos com outros standards neste mesmo website. Também oferece mais informação em MSDN.

Esta clara diferenciação entre implementações estáveis (as que foram integradas no navegador) e as menos estáveis (em protótipos), pode funcionar bem, porém somente se as novas tecnologias derem o salto desde o protótipo ao navegador comercial pouco antes de se converterem em estáveis. Esperar muito tempo para implementar tecnologias desde os protótipos aos navegadores pode limitar o potencial da Web, sem dúvida. Só o tempo poderá dizer como pode acabar tudo isto.

O que aprendemos com IE6

Dando uma olhada atrás na trajetória de IE6 ,os fabricantes de navegadores como Google, Mozilla e Microsoft podem obter algumas lições muito valiosas:
  • Lição 1: os navegadores se tornam obsoletos (mesmo aplicando-lhes atualizações. automáticas)
  • Lição 2: os navegadores são obrigados a aderir aos standards da Web,
  • Lição 3: os navegadores devem conseguir um equilíbrio correto entre tecnologias estáveis e instáveis tendo em mente o consumidor.
Os desenvolvedores Web deverão escolher o momento adequado para incorporar novas tecnologias em seus websites tendo presentes estas lições. Os standards de HTML5 têm capacidade para criar experiências web realmente impressionantes porém, ao mesmo tempo que podem confiar nas especificações estáveis, também devem avaliar e experimentar antes de publicar suas criações baseadas em outras não tão consolidadas.

Você pode encontrar mais informação sobre as tecnologias HTML5 na web de W3C. Se você deseja trabalhar com estas tecnologias emergentes de HTML, recomendo que você visite o site HTML5 Labs.






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O autor
Steve Apiki
Programador senior en Appropriate Solutions, Inc

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