A estratégia empresarial, chave para o sucesso na Internet

A época romântica quando lançar um projeto web de uma empresa era considerado um heroísmo faz tempo que chegou ao fim. Atualmente são milhões os usuários que navegam pela Internet, fundamentalmente em busca de informação.

Por Diego Cenzano - Tradução CRV


Publicado em: 03/1/11
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Segundo o F/Nazca, entre os brasileiros com mais de 12 anos, 54% costuma acessar a internet (81,3 milhões de pessoas). O principal local de acesso é a lan house (31%), seguido da própria casa (27%) e da casa de parente de amigos, com 25% (abril/2010). O Brasil é o 5º país com o maior número de conexões à Internet.

A seguir alguns dados que mostram o alcance que tomou Internet nos últimos tempos. Em setores como o de viagens ou de música, o desenvolvimento da Internet e o comércio eletrônico mudaram por completo as regras do jogo. Iberia, por exemplo, vendeu bilhetes por Internet durante 2003 pelo valor de 170 milhões de euros e suprimiu as comissões de seus intermediários, as agências de viagens, prática que parece seguirão seus competidores. Simultaneamente, no mercado da música, a iniciativa Itunes de Apple já vendeu 70 milhões de canções pela Internet de um catálogo de 700.000 referências, e Microsoft e Sony estão trabalhando em um modelo similar. Por sua parte, Ebay, a maior casa de leilões do mundo, está revolucionando o mercado de compra-venda de produtos: conta com mais de 95 milhões de clientes registrados e gerou um negócio próximo aos 20.000 milhões de euros somente durante o ano de 2003.

Estes são só alguns exemplos de sucessos empresariais, de empresas com negócios que se podem tocar com as mãos, apesar de se basearem em grande medida na Internet. Fruto da bonança de algumas iniciativas, estão se produzindo compras no mercado de empresas tecnológicas de grande relevância, como a que recentemente protagonizou Yahoo! ao adquirir o comparador de preços Kelkoo por 475 milhões de euros, ou a recente tomada de controle do portal de emprego Infojobs, uma PYME espanhola, pela canadense Trader por um preço que ronda os 14 milhões de euros. As valorações e aquisições já não se baseiam nas referências utilizadas na época da bolha tecnológica, como as expectativas futuras e a simples ajuda "puntocom". Atualmente se compra rentabilidade, boa gestão e posicionamento líder no mercado, conceitos que afetam qualquer tipo de empresa independentemente de seu setor e atividade, e nos que, sem ir mais longe, se baseia Google para sua próxima saída a bolsa.

Se juntarmos a todos estes dados e exemplos as inegáveis vantagens que supõe a aplicação adequada da tecnologia Internet na melhoria competitiva, economia de custos, melhoria na relação com clientes, a gestão e cada um dos processos que compõe uma empresa, mais vale que sejamos muito rigorosos à hora de tomar qualquer tipo de decisão sobre que papel deve ter Internet para uma empresa.

A tendência, talvez simplista, de colocar em funcionamento a denominada "página web", muitas vezes sem um análise prévia, nem um critério claro, mais que permitir aproveitar oportunidades, supõe investir dinheiro e muito esforço em iniciativas estéreis que levam empresas a deixar passar interessantes oportunidades e geram frustração. Tudo o que se faça para colocar em funcionamento um projeto web deve estar intimamente relacionado com a estratégia global da empresa, tendo claramente definidos os pontos de interesse a desenvolver. É necessário escutar o mercado e suas tendências, sem dúvida, porém, há que seguir esquemas baseados no sentido comum e no conhecimento do negócio de cada um, algo que só se consegue com anos de experiência.

Nossa experiência de oito anos no setor nos diz que há que falar menos de tecnologia nas fases iniciais de um projeto web e centrar-se em aspectos de estratégia e enfoque. Deve-se olhar em profundidade o que fazem outros para aprender com seus acertos e com seus erros. As iniciativas web devem permitir aflorar algo muito mais importante que sua vertente exclusivamente tecnológica. Evan I. Schwartz dizia em seu livro Webonomics, um clássico das tendências da denominada nova economia, que "A informação é o que vende produtos na Web. Os comerciantes e vendedores da rede devem criar sua web com feitos, notícias, conhecimento, sabedoria e conselhos a cerca de seus produtos" .Muitas empresas confirmaram isso.

Tudo isso deve ser feito como se se tratasse de uma carreira de fundo. Há uma certa tendência a sentir-se com o dever cumprido quando uma empresa depois de muito esforço lança sua web, sem entender que esse é o momento em que o caminho se inicia, um percurso complexo que necessita muitas vezes de um acompanhamento qualificado, parecido ao que se utiliza à hora de colocar em prática a iniciativa. Existem muitos exemplos de empresas que realizaram grandes investimentos para colocar em andamento projetos Internet mas que minimizaram o esforço que deve ser realizado para mantê-los vivos no tempo.

E uma última observação: medir tudo aquilo que se faça. A maior parte dos projetos web destinam menos de 5% do investimento a ferramentas que lhes permitam seguir a evolução de suas iniciativas. Resulta de capital importância conhecer o impacto de tudo aquilo que coloquemos em prática. Nos ajudará a analisar a experiência adquirida e servirá de grande apoio para planificar os passos futuros. Nos permitirá deixar cada vez menos coisas em mãos da intuição e da sorte, e baseá-las em conhecimento que multiplique nossas possibilidades de sucesso.





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