Usabilidade para pequenos projetos web

Pautas para o bom desenvolvimento de uma web.

Por Eduardo Manchón - Tradução de CRV


Publicado em: 17/4/12
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Sempre se fala de grandes webs porque pensamos que há que aprender com os melhores. Porém, certamente estes projetos, à primeira vista, parecem pouco úteis para muitos desenvolvedores que no seu dia- a- dia criam webs para pequenas empresas e negócios sem nenhuma pretensão especial maior do que "estar nisso da Internet".

Por sua simplicidade em seções e conteúdos estas pequenas webs são bastante usáveis "per se", de modo que não é muito relevante se a cor dos links é padrão ou não. No entanto, são importantes os aspectos de usabilidade "estratégica" ou global, ou seja, o esboço geral da web no seu enfoque ao visitante (cliente potencial) e sua utilidade para complementar o negócio.

Uma web que não serve para nada

Se você pensar muito rápido, a web da concessionária de automóveis da esquina não parece que possa servir para muito. Ninguém compra um carro por Internet e para se informar sobre os modelos é mais comum ir à web da grande marca.

Assim, quando o responsável da concessionária da esquina quer que lhe façamos uma web, parece que a máxima é uma web "qualquer, mas bonita para que fique contente". Com semelhantes premissas, o caminho para o desastre parece certo.

Criar uma web que não serve para nada não tem nenhum sentido, portanto nossa tarefa principal é converter a web desta empresa em algo de utilidade para os clientes e que traga benefícios para o empresário. É questão de pensar em situações onde tenha sentido que a web ajude tanto à empresa quanto aos clientes.

No caso da concessionária é provável que alguém possa estar buscando uma concessionária dessa marca nas proximidades do lugar onde vive. Normalmente utilizará Google e escreverá algo como "marca + localização", por exemplo "Renault em Nova Iguaçu". Portanto, algo tão simples como incluir de modo muito visível e no título da homepage a situação da concessionária e a marca pode ajudar muito. Do mesmo modo, um mapa na homepage que explique a situação exata e como chegar de diversas maneiras (metrô, ônibus, trem,carro...) pode fazer com que cheguem à concessionária clientes que de outro modo nunca o teriam feito.

Se formos mais adiante pode-se pensar, por exemplo, em um sistema de envio de e-mails ou SMS para os clientes para lembrá-los de revisões periódicas: troca de óleo, filtros ou pneus, que as pessoas costumam esquecer com o derivado risco para eles e a perda de dinheiro para a concessionária.

Passar umas duas horas na concessionária observando, fazendo algumas perguntas ao responsável pelo negócio, aos trabalhadores ou simplesmente tratar de se colocar no lugar de um cliente pode nos dar muitas ideias simples e interessantes.

Neste tipo de negócio onde o importante é a parte offline, a parte online não tem sentido que seja proposta como um substituto ou uma réplica do negócio (vender carros), mas sim como um apoio, um complemento para as partes onde o negócio físico tenha problemas (esquecimento de revisões periódicas).

Uma home útil e que "seduza"

Nada mais inútil que uma homepage de boas-vindas com um botão "Entrar" ou nada mais decepcionante que uma home vazia apenas com conexão com as quatro típicas seções (quem somos, produtos, clientes e contatar). Estas homes não geram ação nem motivação no visitante.

Certamente quando há 4 seções ninguém vai ficar perdido na web e encontrará toda a informação facilmente. Entretanto, por que criar uma página de início que não serve para nada? Não seria melhor aproveitar a homepage para mostrar conteúdos?

O paradigma de páginas de início extremamente úteis e claras é Avidos.net. Em uma só página explicam tudo o que fazem, seus clientes e projetos. Com apenas uma olhada já está tudo dito. Não há possibilidade de perder nem um só cliente potencial que visite a web por falta de motivação para pesquisá-la.

Evidentemente nem todas as homes podem nem devem ser idênticas à de Avidos.net, mas incluir esta informação na homepage tem muitas vantagens:

  • Mostrar seus clientes diretamente na homepage gera confiança nos visitantes (potenciais clientes) que não conhecem você, que aterrizam na sua web a partir do Google (o mais provável) e que não têm a motivação necessária para navegar pelas seções.

  • Também gera confiança mostrar diretamente na home fotos reais da empresa, a equipe de pessoas, o endereço físico e o telefone. Isto dá sensação de proximidade e de uma empresa física. Nada pior na web de uma pequena empresa do que as típicas fotos do executivo engravatado com um Pocket PC na mão e uma secretária tipo top-model atendendo ao telefone.

  • Não há melhor referência para os clientes que seu próprio trabalho. Incluir na home exemplos e links a trabalhos realizados é mais eficaz para conseguir clientes do que os típicos textos insípidos "empresa líder no setor" ou "nosso compromisso com a qualidade".
Uma web com todos estes conteúdos na home não tem porque ser forçosamente menos atraente que outra. Há mil maneiras de apresentar estes conteúdos de maneira atraente. O que não funciona é primeiro pensar no desenho gráfico e depois em para que serve a web.

Lidando com a empresa

Certamente um empresário que simplesmente "quer estar nisto da Internet" não vai entender a importância de estar no Google ou o importante que é criar uma web que sirva realmente para algo para seus clientes, mas para isso estamos nós e para isso nos pagam. Esquecer disso é pão para hoje e fome para amanhã.

Uma opção que eu gosto pessoalmente mas não recomendo muito é tratar de educar o cliente e explicar-lhe as coisas pacientemente. É um trabalho duro e pouco gratificante porque inicialmente não entenderá nada. No entanto, quando entendê-lo sairemos ganhando em todos os aspectos.

Outra opção é a via dos feitos a posteriori. Uma pequena empresa não entende o importante que o Google pode ser para ela até que não apareça um cliente que diz que a encontrou no Google. Que esse cliente apareça ou não depende do trabalho que nós tenhamos feito antes.

Criar uma web que não serve para nada mais que "estar na Internet" e que é ignorada pelo Google, é ter um cliente satisfeito nesse momento, mas que dificilmente voltará a nos contratar porque não receberá beneficios.

Gestores de conteúdos

Atualmente a maioria de webs de pequenos projetos são feitas sem um Gestor de Conteúdos (CMS). Isto acarreta que seja necessário contratar um desenvolvedor cada vez que se queira atualizar conteúdos de uma web. Criar webs estáticas com Dreamweaver é anacrônico hoje em dia, o resultado são webs que não são atualizadas durante anos, é um atraso.

Os gestores de conteúdos fizeram com que publicar seja tão fácil quanto enviar um e-mail. Qualquer pessoa da empresa sem conhecimentos pode publicar na web. Isto permite converter inclusive as webs mais humildes em algo vivo, versátil e atualizado. Ter autonomia para mudar conteúdos envolve o cliente na Internet e aumenta sua compreensão do meio.

Pensar que se perde dinheiro se o cliente não nos necessita para atualizar sua web não é certo. Um cliente que se acostuma a publicar de maneira autônoma, se familiariza com o meio e de maneira natural surge a necessidade de redesenhar sua web frequentemente, acrescentar seções e funcionalidades, de tal maneira que acaba necessitando os desenvolvedores web inclusive mais do que antes. Um gestor de conteúdos é o primeiro passo para integrar a Internet pouco a pouco em seu negócio.

As prioridades em um pequeno projeto

Há pouco tempo em um foro de designers gráficos da vertente mais estética, ao comentar uma web de venda de vinhos simples e bastante centrada no usuário se dizia entre outras coisas "Você a vê e não fia com vontade de tomar o vinho, falta feeling". Na minha opinião, isto é confundir prioridades e funcionamento de uma web.

Uma web de vinhos não tem como objetivo prioritário incitar a beber vinho, senão vender vinhos e dar informação sobre eles, da mesma forma que uma caixa automática não é criada principalmente para incitar a pessoas a sacarem dinheiro, mas sim a possibilitar que o saquem. Em ambos casos não há que criar nenhuma necessidade porque se o usuário chega no caixa ou na web, já tem a necessidade.

Quando os recursos são escassos como em projetos web de pequenas empresas, centrar-se nos aspectos críticos e não desaproveitar esforços em elementos de duvidosa influencia é crucial para o sucesso. Há que valorizar o ratio custo/beneficio de cada iniciativa e trabalhar no que realmente pode dar resultados, neste caso o processo de venda.

Flash e animações

Muitas pequenas empresas querem para sua web uma apresentação em Flash e animações. Algumas pessoas identificam erroneamente os computadores e Internet como algo similar, talvez porque ambos se visualizam em um monitor.

Foram dados mil argumentos sobre uso e abuso de Flash, mas para o empresário dá no mesmo porque não conhece Jakob Nielsen. Pode ser que para nós também nos importe pouco usar Flash bem ou mal, o que nos importa é que o cliente fique contente e nos pague. Entretanto isso não significa forçosamente interpretar suas petições ao pé da letra e implementar a solução mais fácil.

Nem mesmo Macromedia, o criador de Flash, tem sua página web totalmente feita com Flash. É melhor usar Flash apenas para o que realmente requer animação ou muita interatividade. Uma web totalmente feita em Flash pode acarretar que a empresa não apareça no Google nem buscando explicitamente pelo seu nome. E já se sabe: se você não está no Google, não está na Internet.

Se há que fazer una animação obrigatoriamente para satisfazer o empresário que nos paga, façamo-la com algo útil ou interessante; o processo de elaboração de um produto, a cadeia de montagem, um tutorial explicativo ou a historia da empresa, ou seja, algo que contribua para os visitantes. As animações gratuitas tipo o logo da empresa se movendo estilo Star Wars não servem para nada nem interessam a ninguém.

Mostrar os conteúdos ou a web em si mesma?

Um livro pode falar de arte, mas isso não implica que haja que transformar o livro em um objeto de arte também. De igual modo, uma web cujos conteúdos sejam artísticos não tem porque ser obrigatoriamente um objeto de arte.

Se uma web se converte em um objeto de arte, então o objetivo do criador não é mostrar o que a web contém, mas sim a web em si mesma.

Alguns designers gráficos pensam que sua web, por conter seu trabalho, que em parte costuma ser artístico, deve ser também uma mostra de sua arte e impressionar a todo custo o cliente potencial que visita a web. Creio que isto é um erro.

Raramente uma pequena empresa quer uma web similar à do designer (ou não deveria querê-la). Normalmente, o fator principal que faz contratar o designer são seus trabalhos anteriores, portfólio, referências, currículo etc.

É bom que uma web impressione clientes potenciais, mas não tanto que se converta em um jogo ver o portfólio ou encontrar o e-mail do designer.

Se você fez uma animação genial, dar um acesso claro à animação a partir da home é a melhor maneira de potencializá-la, nem ocultá-la dentro de um menu desdobrável nem fazer com que o usuário tenha que navegar através de outra animação para encontrá-la.

Game Over

Em um jogo o final mais frequente é "Game Over", sobretudo no princípio. Se não fosse assim, o jogo seria enfadonho, demasiado fácil. Em um jogo se aprende pela via do ensaio-erro, da prática, é o mais rápido.

Converter a interação de uma web em um jogo comporta irremediavelmente muitos "Game Over". E claro, cada "Game over" é um cliente perdido.





Comentários do artigo
Foram enviados 2 comentários ao artigo
1 comentário não revisado
1 comentário revisado:
Excelente
Por: dinho78
27/4/12
Um dos melhores artigos que já li.

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